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Jerusalém, na vida do Senhor, foi o lugar onde ele atingiu o ponto
culminante da vontade do Pai. "Não procuro a minha própria vontade e, sim,
a daquele que me enviou". Esse foi o interesse dominante durante sua
vida inteira, e tudo com que ele se deparou pelo caminho, alegrias ou
tristezas, sucessos ou fracassos, nunca o desviaram do seu propósito.
"Manifestou no semblante a intrépida resolução de ir para
Jerusalém". A coisa mais importante a lembrar é que subimos para Jerusalém para
cumprir o propósito de Deus, e não o nosso próprio. Naturalmente nossos
anseios nos pertencem; mas na vida cristã não temos objetivos próprios.
Fala-se tanto, hoje em dia, de nossas decisões por Cristo, nossa
determinação de sermos cristãos, nossas decisões a favor disto e daquilo,
mas o que se ressalta no Novo Testamento é o aspecto do impulso da vontade
de Deus em nós. "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário,
eu vos escolhi a vós outros". Não somos levados a um acordo
consciente com o propósito de Deus; somos impelidos a cumprir os
propósitos de Deus sem ter deles a mínima consciência.
Não temos nenhuma noção do que Deus está pretendendo e, à
medida que prosseguimos, o propósito dele se torna cada vez mais vago.
Temos a impressão de que Deus está errando o alvo porque somos por demais
míopes, e não enxergamos aquilo que ele está visando. No começo da vida
cristã, temos nossas próprias idéias sobre o objetivo de Deus. "Eu tenho
que ir para aqui ou para ali", Deus chamou-me para fazer um trabalho todo
especial", e vamos, e fazemos, mas o forte impulso de Deus permanece. O
trabalho que realizamos não tem nenhuma importância; comparado com o
grande impulso de Deus, não passa de meros andaimes. "Tomando consigo os
doze"- ele nos chama o tempo todo. Há muito mais do que o que recebemos
até agora. |